quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Biodiesel de peixe: mais uma excelente opção

Além de ser a fonte mais eficiente na conversão de matéria orgânica em proteína animal, o pescado desponta como mais uma opção de matéria-prima para a produção de biocombustíveis, sem no entanto causar prejuízos à produção de alimentos como costumam alardear alguns grupos com interesse em sabotar o desenvolvimento de alternativas à perigosa pressão política dos sheiks do petróleo.

Além de algumas pesquisas nas Filipinas visando o uso do óleo de panga (Pangasius hypophtalmus), em 2010 foi realizado em Pernambuco um estudo direcionado ao uso de resíduos de tilápia africana (do Nilo) produzida pela indústria Netuno às margens do Rio São Francisco no semi-árido baiano e pernambucano, tendo os trabalhos conduzidos pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco, Instituto Federal de Educação de Pernambuco, Universidade Federal de Pernambuco e Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Constatado que o óleo extraído das vísceras de tilápia atende às especificações exigidas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), também pode ser observado que viscosidade, índice de cetano (intensidade de propagação da chama), acidez e densidade são compatíveis com o biodiesel produzido a partir de matérias-primas vegetais mais difundidas como a mamona e a soja, podendo ser usado em veículos com motor Diesel sem demandar nenhuma alteração. Para a reação de transesterificação, foi usado como catalisador o Hidróxido de Potássio (KOH) na proporção de 1%, e 200ml de metanol para cada 500ml do óleo de peixe.

Uma das primeiras vantagens econômicas do uso de óleo de peixe na produção do biodiesel é a menor dependência na soja, que atualmente é a base de 83% de todo o biodiesel brasileiro e tem a produção mais concentrada em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. Observando um contexto no qual a mamona obteve destaque como a grande vedete da renovação da matriz energética, mas revelou-se mais economicamente viável para fins industriais diversos (sobretudo cosméticos, lubrificantes, polímeros e até mesmo componentes para próteses) devido à alta cotação do óleo, desponta ainda como uma alternativa de custo/benefício mais competitivo em relação ao óleo diesel tradicional.

Além das aplicações veiculares, convém recordar que o biodiesel de peixe pode substituir ao menos parcialmente combustíveis fósseis como o carvão mineral e óleos combustíveis derivados do petróleo na geração térmica de energia elétrica, bem como integrando-se a um melhor aproveitamento do potencial hidrelétrico de algumas regiões ao considerar a predisposição geográfica ao fomento de programas de aquicultura, com destaque para a Amazônia e a Bacia Hidrográfica do Paraná.

Considerando ainda as metas estabelecidas pelo Ministério da Pesca com a intenção de elevar a produção nacional de pescados a 2 milhões de toneladas anuais até 2014, o biodiesel de peixe é uma boa alternativa para aumentar a rentabilidade da indústria pesqueira e, eventualmente, levar a uma redução nos custos do pescado ao consumidor.

2 comentários:

  1. De fato é uma boa alternativa, mas o grande desafio será purificar o óleo das víceras para poder utiliza-lá em escala comercial.
    A dependência da soja não é tão ruim como alguns pintam, ela garante o fornecimento do biodiesel, e só é a matéria-prima mais utilizada porque ainda é a mais barata (em escala comercial). Soja é commoditie, e com isso temos vantagens e desvantagens.
    De qualquer maneira, não é recomendado que se use o "biodiesel de peixe" puro nos motores, mas sempre misturado com biodiesel de outras fontes ( ou bem diluído no diesel).

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    1. Eu não sou contra o uso do biodiesel de soja, mas acredito que seja válido o esforço para reduzir eventuais prejuízos à produção de alimentos. E mesmo que o óleo de peixe acabe por não ser a melhor de todas as alternativas para a produção do biodiesel, nada impede que venha a atender algumas aplicações industriais que atualmente se valem do óleo de mamona que poderia ser redirecionado à produção de biodiesel.

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Nem sempre é viável manter as relações de marcha originais após converter um veículo para Diesel, em função dos regimes de rotação diferenciados. Portanto, uma alteração das relações de diferencial ou até a substituição do câmbio podem ser essenciais para manter um desempenho adequado a todas as condições de uso e a economia de combustível.

It's not always viable to retain the stock gear ratios after converting a vehicle to Diesel power, due to different revving patterns. Therefore, some differential ratio or even an entire transmission swap might eventually be essential to enjoy a suitable performance in all driving conditions and the fuel savings.

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