segunda-feira, 29 de junho de 2026

Uma observação sobre as pick-ups Chevrolet "Square Body" e a experiência argentina com um downsizing circunstancial

Um dos modelos mais icônicos das pick-ups Chevrolet e GMC, a 3ª geração da série C/K conhecida por "Rounded Line" na nomenclatura interna que a General Motors costumava atribuir e "Square Body" por entusiastas foi também a primeira a ter motores Diesel nos Estados Unidos e em regiões onde a linha de pick-ups full-size se mantinha mais fielmente alinhada com os modelos americanos ao menos quanto à estética. Enquanto o ciclo de produção se estendeu de forma ininterrupta entre 1972 e 1991 nos Estados Unidos, no Canadá e no México, e até com a montagem no regime CKD em algumas regiões como de 1978 a 1988 no Chile onde chegou até a ser usado o motor 4.3 V6 a gasolina já com injeção eletrônica e câmbio automático nos últimos anos da operação na cidade de Arica, os modelos C10 e C30 chegaram a ser fabricados na Argentina com o motor 4.1 de 6 cilindros em linha e câmbio manual entre 1974 e 1978 pela própria GM antes que uma reabertura do mercado argentino aos veículos importados interrompida pela Guerra das Malvinas justificasse a importação de exemplares completos e melhor equipados com opções até pela tração 4X4 e o câmbio automático além de motores V8, e ainda no rescaldo da Guerra das Malvinas somente a C10 voltou entre 1985 e 1991 a cargo da Sevel Argentina com o mesmo motor 4.1 a gasolina e a opção por um motor turbodiesel Indenor XD3T de 2.5L e 4 cilindros compartilhado com modelos Peugeot também fabricados pela Sevel. E apesar de ter sido oferecida nos Estados Unidos a opção pelo malfadado motor Oldsmobile Diesel 350 V8 de 5.7L entre 1978 e 1981 apenas para a C10, antes que o motor Detroit Diesel 6.2 V8 fosse apresentado em 1982 e disponível também para versões de maiores capacidades de carga e com opção pela tração 4X4 nas pick-ups além das linhas de SUVs full-size, a situação na Argentina era diferente e até mais próxima do caráter improvisado que norteou as primeiras experiências com motores Diesel em pick-ups full-size no Brasil.
Se por um lado pareceria até um tanto óbvia a opção pelo outsourcing junto à Perkins, como a General Motors do Brasil já recorria para equipar os modelos tecnicamente similares na mesma época, e mesmo a concorrência que então estava limitada à Ford Argentina também apelasse a tal expediente diante das condições regionais que dificilmente justificariam a fabricação localizada de motores específicos para as pick-ups full-size, por outro a escolha pelo motor Indenor Diesel Turbo diferia substancialmente da abordagem mais "agrícola" então predominante na Argentina e no Brasil onde motores que inicialmente seriam destinados a tratores passaram a equipar também pick-ups e caminhões leves. Uma economia de escala que entre modelos movidos a gasolina já tornava regra o compartilhamento de motores e câmbios com os carros de maior porte dos fabricantes de origem americana, ao ponto de acentuar diferenças dos modelos feitos nos Estados Unidos e México ou Canadá para os congêneres argentinos e brasileiros, foi o estopim para uma experiência inusitada antes que o downsizing fosse amplamente reconhecido como tal, por mais que o uso do motor Indenor de fabricação argentina na Chevrolet C10 Custom Deluxe de 1986 a 1991 tivesse motivações mais essencialmente logísticas que de ordem estritamente técnica. Por mais que a litragem e a quantidade de cilindros nitidamente menores do Indenor tanto em comparação ao motor Oldsmobile que teve nos Estados Unidos a disponibilidade igualmente limitada à C10 quanto ao Detroit Diesel, que era apresentado como uma opção capaz de atender a perfis de uso mais variados, também ficasse evidente ao lembrarmos do que se fazia no Brasil com motores Perkins 4-236 de 3.9L e 4 cilindros, é natural que a presença do turbocompressor (ainda que sem intercooler) no motor argentino enquanto os americanos permaneciam recorrendo à aspiração atmosférica possa dar a impressão de ser baseada em algum apelo hi-tech que o turbo pudesse dispor àquela época, pese o fato do motor Indenor XD3T já ter sido produzido pela Sevel antes mesmo que tivessem início já em 1984 as tratativas para a retomada da produção da C10 na Argentina.
Embora a importação de automóveis na Argentina tenha sido afetada por severas restrições entre 1982 e 1990, o simples fato de terem sido importados para uso militar exemplares da Chevrolet K20 em versão CUCV (Commercial Utility Cargo Vehicle) com o motor Detroit Diesel V8 e câmbio automático além da tração 4X4 e uma capacidade de carga superior à da C10 fabricada localmente já deixa claro que com o motor Indenor inexistia aquela intenção de cobrir todas as necessidades de quem optava por pick-ups full-size em regiões como os Estados Unidos, onde até hoje os motores V8 a gasolina são de certa forma ícones culturais e aos quais o Detroit Diesel V8 era apresentado como alternativa eficiente e confiável. Talvez pudesse ter dado certo alguma aposta mais conservadora como a brasileira, já levando em conta que a General Motors deu prioridade aos motores de 6 cilindros em linha tanto para automóveis grandes quanto para as linhas de utilitários durante a implementação da efetiva fabricação de veículos no Brasil e na Argentina entre as décadas de 1950 e 1960 e portanto abordagens mais austeras nos primórdios da "dieselização" impulsionada pelas crises do petróleo da década de 1970 causariam menos estranheza, e ainda foram facilitadas pela maior leniência quanto a normas de emissões em comparação aos Estados Unidos onde já em 1967 surgiam iniciativas nesse âmbito e que culminavam numa efetiva necessidade por motores específicos e devidamente homologados para uso veicular - e ironicamente o motor Indenor XD3T até contasse com versões de especificação americana para uso em automóveis Peugeot entre os anos de 1985 e 1987, e teoricamente nada impedisse o uso numa pick-up porque estava enquadrado numa categoria mais restritiva que a dos "caminhões leves" no tocante a normas de emissões. Enfim, a experiência argentina com o downsizing foi mais um contingenciamento que uma aposta deliberada...

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Nem sempre é viável manter as relações de marcha originais após converter um veículo para Diesel, em função dos regimes de rotação diferenciados. Portanto, uma alteração das relações de diferencial ou até a substituição do câmbio podem ser essenciais para manter um desempenho adequado a todas as condições de uso e a economia de combustível.

It's not always viable to retain the stock gear ratios after converting a vehicle to Diesel power, due to different revving patterns. Therefore, some differential ratio or even an entire transmission swap might eventually be essential to enjoy a suitable performance in all driving conditions and the fuel savings.

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