terça-feira, 19 de junho de 2012

Diesel de cana



A cana de açúcar serve de matéria-prima para diversos produtos, como cachaça, açúcar, etanol, e até papel feito com a cana de açúcar. Em 2010 mais um derivado aparece: o diesel de cana. Desenvolvido pela empresa californiana Amyris, posto em prática numa parceria com a Votorantim Novos Negócios (VNN) e a Usina Santa Elisa, de Sertãozinho-SP. A meta inicial era de produzir 400 milhões de litros no primeiro ano e 1 bilhão de litros em 2012. O sucesso do novo combustível superou as expectativas, e nesse momento é um dos grandes destaques da exposição Rio +20, atendendo ao abastecimento das frotas de demonstração de diversas empresas participantes, como o Grupo PSA (Peugeot/Citroën) nos automóveis Peugeot 3008 Hybrid4 e Citroën DS5 Hybrid4 (mesmo modelo do atual veículo presidencial francês), Volvo (com a primeira versão nacional do ônibus híbrido Hibribus), Mercedes-Benz (com diversos modelos de ônibus) e Volkswagen/MAN Latin America (combinando o combustível e o gás natural no mesmo motor).


Mas como funciona?


O processo é muito semelhante ao da produção de etanol, e utiliza leveduras (um tipo de fungo microscópico também usado na panificação e na indústria cervejeira) para fermentar os açúcares da cana e secretar etanol. A diferença essencial, e grande inovação introduzida pela Amyris, está no DNA da levedura, geneticamente modificado para secretar diesel ao invés de etanol.

"Não é biodiesel. É diesel mesmo", diz o biólogo Fernando Reinach, diretor-executivo da VNN, fundo de investimento de risco do grupo Votorantim, financiadora de parte da pesquisa. Resulta da fermentação uma molécula chamada farneceno, com 12 átomos de carbono, com todas as propriedades essenciais do diesel de petróleo, exceto as indesejadas como a mistura de enxofre.
Enquanto o diesel de petróleo e o biodiesel de óleos vegetais constituem misturas de várias moléculas, o diesel de cana tem apenas o farneceno, que pode ser usado diretamente no motor. Segundo o diretor-executivo da Amyris, o português John Melo, o diesel de cana é "um combustível super puro".
O diesel de petróleo é muitas vezes apontado como o mais poluente dos combustíveis fósseis, devido ao problema da formação de material particulado. O diesel de cana-de-açúcar, além não conter enxofre, o que reduz o impacto sobre a poluição urbana e a ocorrência da chuva ácida, mantém um ciclo fechado do carbono que emite para a atmosfera por este ser reabsorvido durante o crescimento da cana-de-açúcar nas lavouras, reduzindo o impacto no aquecimento global. Após a colheita e moagem da cana, o carbono é convertido novamente em combustível, reemitido, reabsorvido e assim por diante.
A cana não tem óleo, ela apenas fornece o açúcar necessário para alimentar as leveduras que vão produzir o combustível. O processo é completamente diferente da produção do biodiesel, que é processado a partir de óleos vegetais, como de soja e mamona.
Segundo Reinach, mais de 15 genes transformam a levedura numa "fábrica biológica" de diesel, e a espécie é a mesma da fermentação do etanol (Saccharomyces cerevisiae).
Potencial
A idéia, a princípio, é o diesel de cana entrar no mercado como um adicional ao diesel de petróleo, e não como um concorrente, pois a produção inicial é muito pequena. O Brasil consome cerca de 45 bilhões de litros de diesel, dos quais 5 bilhões são importados. "Se acabarmos com a importação já será um enorme sucesso", pondera Melo, que antes da Amyris presidiu a BP Fuels nos Estados Unidos.
As adaptações necessárias nas usinas para produzir diesel em vez de etanol são mínimas. De certo modo, basta trocar a levedura no fermentador. Dentro de alguns anos, prevê Reinach, os usineiros poderão optar por produzir o que for mais vantajoso (etanol, diesel ou açúcar) com grande flexibilidade.
O diesel de cana desponta como mais uma opção dentre as energias renováveis que o mundo procura para substituir os combustíveis fósseis, principais responsáveis pelo aquecimento global. A cana já oferece duas dessas opções: o etanol e o bagaço, atualmente queimado para produção de energia elétrica mas que apresenta potencial para ser convertido em etanol celulósico (o chamado "etanol de 2ª geração"). Agora, são três (etanol, diesel e biomassa), podendo chegar a quatro, cinco, ou até seis. De acordo com Reinach, as mesmas técnicas de engenharia molecular permitem induzir a levedura a gerar quase qualquer molécula orgânica.
A Amyris já vem desenvolvendo combustível aeronáutico para a Força Aérea Norte-americana, e além do diesel, tem planos de produzir gasolina também a partir da cana-de-açúcar.

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Nem sempre é viável manter as relações de marcha originais após converter um veículo para Diesel, em função dos regimes de rotação diferenciados. Portanto, uma alteração das relações de diferencial ou até a substituição do câmbio podem ser essenciais para manter um desempenho adequado a todas as condições de uso e a economia de combustível.

It's not always viable to retain the stock gear ratios after converting a vehicle to Diesel power, due to different revving patterns. Therefore, some differential ratio or even an entire transmission swap might eventually be essential to enjoy a suitable performance in all driving conditions and the fuel savings.

Mais informação sobre relações de marcha / more info about gear ratios
http://dzulnutz.blogspot.com/2016/03/relacao-de-marcha-refletindo-sobre.html