terça-feira, 28 de junho de 2016

Dieselgate: finalmente encaminhando-se para um desfecho?

Foi anunciado hoje pela Volkswagen um plano para lidar com os desdobramentos do escândalo de emissões conhecido como "Dieselgate" que se deflagrou em setembro do ano passado. Cobrindo pontos que vão desde a readequação de veículos afetados até uma eventual recompra dos mesmos por parte da Volkswagen e eventuais compensações financeiras pelo decréscimo no valor de mercado dos modelos usados, passando por medidas compensatórias um tanto quanto controversas com o alegado intuito de reparar alegados danos ambientais decorrentes da desconformidade entre os valores de emissões de óxidos de nitrogênio (NOx), algumas ações ainda dependem de aprovação da EPA e do CARB principalmente no tocante às alterações que venham a ser feitas nos veículos cujos proprietários e/ou arrendatários não desejem se desfazer.

Um ponto que já fomenta controvérsia é a imposição de uma multa de 2 bilhões de dólares a ser revertida para infraestrutura e acesso para veículos de emissão zero e "iniciativas de conscientização" sobre os mesmos, que traz à tona velhas discussões sobre o real objetivo em criar uma demanda artificial por veículos elétricos como foi observado na Califórnia durante os anos '90 e pelo hidrogênio como ocorreu durante a gestão de George W. Bush. Diante da dependência ainda elevada do sistema elétrico americano por fontes fósseis, tanto óleos combustíveis pesados quanto o carvão mineral e mais recentemente o gás natural (tanto convencional quanto o "não-convencional" proveniente do fracking de xisto betuminoso), e das regulamentações de emissões consideravelmente menos rígidas nessa aplicação, bem como da maior morosidade para normalizar a operação de alguma usina de geração térmica de energia elétrica após uma falha em comparação com outros métodos de geração como as hidrelétricas e as eólicas, o impacto de uma maior presença de veículos elétricos a serem eventualmente incorporados à frota americana é um tanto quanto questionável.

Outro aspecto que ainda vai fomentar muita discussão é o pagamento de US$2,7 bilhões a um fundo que venha a ser destinado a "remediar" as emissões excessivas de NOx dos motores 2.0TDI e administrado por uma entidade ainda a ser definida em juízo. Partindo do princípio de que muitas entidades ditas "ambientalistas" estão mais envolvidas em tentativas de implementação do socialismo e circos midiáticos diversos, e portanto não sejam uma referência de idoneidade, essa é outra medida que já não inspira muita confiança. Além dos reais efeitos dos NOx ainda suscitarem algumas dúvidas, principalmente após alguns estudos apontarem que os compostos nitrogenados presentes na "chuva ácida" tornam-se fertilizantes ao serem recombinados com o solo, não se pode desconsiderar que um controle mais rígido das emissões individuais de cada veículo afetado acabariam por acarretar num footprint ambiental mais pesado. Testes independentes já revelaram que um motor "amarrado" para atender aos padrões de emissões e consumo homologados pela EPA apresentam algum grau de comprometimento do desempenho e da economia de combustível, bem como incrementando a emissão de dióxido de carbono e a saturação do filtro de material particulado (DPF), e além do aumento no custo operacional acarretaria numa menor durabilidade do sistema de controle de emissões.

Parece que os "ecologistas" esquecem que um maior volume de óleo diesel a ser consumido irá intensificar a extração mineral e as emissões geradas desde o transporte do petróleo bruto, passando pelo refino até chegar aos postos de abastecimento, além de uma maior evasão de recursos financeiros que acabariam parando nas mãos sujas da máfia islamo-socialista da OPEP e eventualmente alcançando até os cofres do temido Estado Islâmico (ISIS/Daesh). Algum boiolinha aleatório que esteja desfilando de Toyota Prius por Beverly Hills pode não ter se dado conta ainda, mas é provável que a corda a ser eventualmente usada por um militante islâmico para enforcá-lo seja financiada por efeitos colaterais de uma "medida compensatória" do Dieselgate. E não precisa nem ir muito longe: caso a opção se dê por incorporar o SCR em modelos das linhas Golf, Jetta, Beetle e Audi A3/A4/A5, recurso que já havia sido implementado no Passat americano e também foi alvo de fraude, deve ser analisado o incremento na extração mineral e consumo de energia para a produção de uréia industrial e a desmineralização da água usada para elaboração da solução-padrão conhecida nos Estados Unidos e Canadá como DEF (Diesel Exhaust Fluid - fluido para escapamento de motores Diesel), no mercado brasileiro como ARLA-32, e na Europa, Ásia, Oceania e África como AdBlue, além do uso do gás natural ainda proveniente sobretudo de reservas fósseis como matéria-prima para a síntese da uréia e outros compostos nitrogenados usados principalmente para a elaboração de fertilizantes agrícolas. Sabe aquele milho delicioso que poderia saciar a fome de uma criancinha desnutrida na África? Pode não ter sido plantado por causa de um ecofascista barulhento exigindo o uso de SCR num Golf...

No fim das contas, qualquer medida que venha a ser implementada no sentido de contrabalançar as emissões tidas como excessivas da parte dos veículos Volkswagen afetados pelo Dieselgate nos mercados americano e canadense é basicamente como enxugar gelo, visto que as emissões a serem atenuadas individualmente em cada veículo envolvido no escândalo serão revertidas e eventualmente majoradas através de processos extrativos, logísticos e industriais destinados ao suprimento de uma maior quantidade de óleo diesel e outros insumos que venham a ser necessários para assegurar o cumprimento das normas de emissões nas quais foram homologados. No entanto, por mais que alguns proprietários posteriormente recorram a modificações ilegais para reverter as emissões aos parâmetros "pré-Dieselgate", o fim dessa novela pode tranquilizar aqueles ainda temerosos quanto a uma queda acentuada no valor de revenda dos modelos afetados.

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Nem sempre é viável manter as relações de marcha originais após converter um veículo para Diesel, em função dos regimes de rotação diferenciados. Portanto, uma alteração das relações de diferencial ou até a substituição do câmbio podem ser essenciais para manter um desempenho adequado a todas as condições de uso e a economia de combustível.

It's not always viable to retain the stock gear ratios after converting a vehicle to Diesel power, due to different revving patterns. Therefore, some differential ratio or even an entire transmission swap might eventually be essential to enjoy a suitable performance in all driving conditions and the fuel savings.

Mais informação sobre relações de marcha / more info about gear ratios
http://dzulnutz.blogspot.com/2016/03/relacao-de-marcha-refletindo-sobre.html