quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Breves notas sobre a aviação e os biocombustíveis

No embalo da notícia de que a Boeing estaria trabalhando para conquistar a homologação de um "diesel verde" à base de gorduras hidrogenadas (tanto de origem vegetal quanto animal), vale recordar alguns outros aspectos que fazem da aviação um cenário mais promissor ao biodiesel do que se poderia imaginar...


  • A aviação é muito criticada pelos ecofascistas (ou ecologistas-melancia), por conta da emissão de poluentes da atual geração de motores aeronáuticos. O principal combustível usado tanto para fins comerciais quanto militares é o querosene, que tem características de combustão semelhantes ao óleo diesel, inclusive tendo nas emissões de óxidos de nitrogênio um ponto bastante crítico, apesar da maior volatilidade permitir que seja usado até com ignição por faísca. No entanto, a predominância dos motores a jato (turbinas, ou "motores a reação") não favorece a implantação de sistemas de pós-tratamento de emissões, e assim os biocombustíveis são a alternativa mais favorável para conciliar um bom desempenho e confiabilidade nas condições ambientais mais severas, e ainda reduzir o impacto ambiental das operações de transporte aéreo.



  • Entre os motores a pistão, a superioridade do Diesel em comparação com os de ignição por faísca já é indiscutível, além da maior facilidade em obter óleo diesel e substitutivos do que a cara e altamente poluente gasolina de aviação, que tem na adição de chumbotetraetila um problema sério, e a disponibilidade futura é incerta. Motores como os DeltaHawk americanos, ou o SMA 305 (cilindrada em polegadas cúbicas, cerca de 5.0L) fabricado pela SNECMA francesa, já oferecem desempenho superior a motores a gasolina como o clássico Continental O-470 (aproximados 7.7L), com um consumo na ordem de 30% menor, tomando como referência o Cessna 182 Skylane. Vale ressaltar que a Cessna pretende tirar as versões de motor com ignição por faísca de linha até o final desse ano...

  • Basicamente, as mesmas matérias-primas destinadas à produção de biodiesel podem servir ao bioquerosene. Desde óleos vegetais até derivados da cana-de-açúcar como o farneseno obtido pelo método desenvolvido pela empresa americana Amyris para a produção de diesel de cana, o que já reduz custos de pesquisa e desenvolvimento. O maior entrave é meramente burocrático, devido à pouca flexibilidade das agências regulatórias aeronáuticas.

  • Um dos fatores que levou os motores Diesel a tornarem-se o padrão nas frotas militares dos países signatários do Tratado da OTAN foi justamente a possibilidade de usar combustíveis de diferentes especificações, como o querosene JET A-1, o que facilita a logística militar em zonas de conflito. Já para fazer uma turbina de avião funcionar com óleo diesel puro, o desafio é um pouco maior...

Logo, por mais que alguns ainda demonstrem incredulidade quanto ao uso de substitutivos de origem renovável para os principais combustíveis aeronáuticos, é um cenário bastante promissor.

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Nem sempre é viável manter as relações de marcha originais após converter um veículo para Diesel, em função dos regimes de rotação diferenciados. Portanto, uma alteração das relações de diferencial ou até a substituição do câmbio podem ser essenciais para manter um desempenho adequado a todas as condições de uso e a economia de combustível.

It's not always viable to retain the stock gear ratios after converting a vehicle to Diesel power, due to different revving patterns. Therefore, some differential ratio or even an entire transmission swap might eventually be essential to enjoy a suitable performance in all driving conditions and the fuel savings.

Mais informação sobre relações de marcha / more info about gear ratios
http://dzulnutz.blogspot.com/2016/03/relacao-de-marcha-refletindo-sobre.html