sexta-feira, 6 de março de 2020

Rápida observação sobre um eventual espaço para o Diesel na cultura hot-rod

Uma cultura que remonta à prosperidade do pós-guerra nos Estados Unidos, com a consolidação pela imagem de motores V8 como parte indissociável da tradição dos carros americanos, a montagem dos hot-rods fomentou um fascínio pelo automobilismo amador junto a algumas gerações antes da moda do tuning inspirada pelos primeiros filmes da franquia Velozes e Furiosos. Por ter raízes nos anos '50, em meio a um cenário cultural efervescente em que a imagem de rebeldia se tornava glamurizada por Hollywood e até hoje exerce um encantamento nos mais jovens, até não soaria tão absurdo supor que a modernização da cena dos hot-rods abrindo espaço para projetos mais arrojados pudesse se mostrar até um tanto mais receptiva ao Diesel nesses tempos em que o "politicamente-correto" e uma histeria ecofascista demonizam os motores de combustão interna de um modo geral mas ainda com um maior rigor diante do Diesel.

Historicamente, o vínculo da cultura das "carreteras" especialmente forte na região Sul do Brasil e em países vizinhos como a Argentina com eventuais adaptações de motores das linhas de caminhões num momento em que predominava a gasolina indistintamente das categorias dos veículos, e prevalecia a filosofia do "There is no replacement for displacement" a exemplo da linha Ford da década de '40 e início da década de '50 com os motores V8 Flathead, de certa forma pode até ser considerado um precedente favorável à "dieselização" nesse contexto. Mesmo que ao invés de partir para uma solução mais bruta ainda se considerem as particularidades do downsizing e do downrevving no momento de definir o melhor motor para um projeto até visando se ajustar melhor às limitações de espaço que as plataformas mais compactas predominantes em veículos novos impõem, bem como os avanços na tecnologia do turbocompressor e do gerenciamento eletrônico abram toda uma série de possibilidades que nem passavam pela cabeça dos nossos avós na época das "carreteras", também cabe recordar uma consolidação em poucas faixas de cilindrada que tem levado até a uma maior paridade mecânica entre alguns automóveis compactos modernos e veículos comerciais com diferenças significativas no peso bruto total.

Digno de nota também é o caso da Cummins, cujo motor ISF2.8 que chegou a ser usado nas últimas versões brasileiras da linha Ford F-350 e F-4000 foi uma aposta considerável no downsizing diante do B3.9 usado anteriormente nesses modelos, e deu origem ao crate-engine R2.8 comercializado nos Estados Unidos e no Canadá exatamente com um enfoque no aftermarket visando atingir um público que ainda considera o V8 a gasolina como primeira opção. E embora o foco da oferta do R2.8 esteja mais direcionado a utilitários, não seria de se descartar uma eventual inserção também no campo dos hot-rods. Enfim, considerando não só precedentes históricos ainda voltados aos V8 a gasolina mas também a evolução tecnológica e o fato da cultura hot-rod não excluir o aproveitamento de soluções off-the-shelf, não deixa de oferecer um bom espaço que eventualmente o Diesel possa preencher de uma forma tão boa quanto ou até melhor...

6 comentários:

  1. Se fosse mais fácil trazer lá dos Estados Unidos um V8 a diesel, já teria como agradar a ala tradicional também.

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  2. Tampoco es necesario que sea un motor turbodiesel más moderno para superar a unos V8 antigos. Algo tan vetusto como el Isuzu 4JB1, aún que sea atmosferico, ya suele ser mejor que un V8 Ford Flathead por ejemplo.

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  3. Ainda acho meio difícil convencer a turma dos V8 a aderir a motores com 4 cilindros seja lá qual forem. Se fosse de 6 cilindros como o MWM da F250 acho que ficaria mais fácil aceitarem bem.

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  4. Motor a diesel nesses carros de filme americano antigo ia ficar estranho como uma dublagem mal feita num filme.

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Nem sempre é viável manter as relações de marcha originais após converter um veículo para Diesel, em função dos regimes de rotação diferenciados. Portanto, uma alteração das relações de diferencial ou até a substituição do câmbio podem ser essenciais para manter um desempenho adequado a todas as condições de uso e a economia de combustível.

It's not always viable to retain the stock gear ratios after converting a vehicle to Diesel power, due to different revving patterns. Therefore, some differential ratio or even an entire transmission swap might eventually be essential to enjoy a suitable performance in all driving conditions and the fuel savings.

Mais informação sobre relações de marcha / more info about gear ratios
http://dzulnutz.blogspot.com/2016/03/relacao-de-marcha-refletindo-sobre.html