Um lugar para os malucos por motores do ciclo Diesel compartilharem experiências. A favor da liberação do Diesel em veículos leves no mercado brasileiro, e de uma oferta mais ampla de biocombustíveis no varejo.
quinta-feira, 8 de abril de 2021
Pick-ups compactas: justificam ser levadas mais a sério como utilitários
Ainda que o lançamento da 2ª geração da Montana em 2011 em meio à consolidação de pick-ups como veículos mais representativo de um "estilo de vida" tal qual tem acontecido atualmente com os SUVs se refletisse numa menor ênfase no público comercial, ao contrário do que ocorreu quando a 2ª geração da Fiat Strada foi lançada no ano passado mantendo o motor Fire 1.4 Flex nas versões de entrada por já ser bem recebido pelo segmento profissional, nos modelos de cabine simples o viés efetivamente utilitário é mais perceptível. Uma maior similaridade mecânica com automóveis ditos "populares" também acaba por atrair tanto gestores de grandes frotas quanto transportadores autônomos e outros profissionais, com os custos de aquisição e manutenção pesando mais favoravelmente às pick-ups compactas enquanto nas médias se intensifica um desvirtuamento da proposta laboral para firmarem-se como veículos de lazer, e nesse contexto a escolha de operadores comerciais recaindo sobre uma "picapinha" faz mais sentido do que poderia parecer. Em que pese a capacidade de carga nominal de modelos dessa categoria se manter abaixo do mínimo de uma tonelada exigido para veículos de tração simples e acomodações para menos de 9 passageiros além do motorista serem homologados como "utilitário" e poderem usar motor Diesel no Brasil, não se pode esquecer como motores a gasolina ou "flex" hoje estão sendo apontados como mais simples em comparação aos turbodiesel mais recentes que incorporam sistemas de pós-tratamento como filtros de material particulado (DPF) e em algumas regiões até o SCR para controle dos óxidos de nitrogênio (NOx).
Mesmo com a estrutura monobloco semelhante à das gerações mais recentes de carros "populares" num primeiro momento aparentando dificultar uma reconfiguração do compartimento de carga para algumas aplicações, em contraste com modelos maiores ou cópias chinesas de pick-ups subcompactas japonesas cuja carroceria pode ser substituída por outra desenvolvida desde o início para a função à qual o veículo for designado, a possibilidade de simplesmente acoplar uma capota rígida ou outro implemento especial sem impedimentos a um retorno à originalidade também proporciona confiança entre alguns operadores profissionais preocupados com o valor de revenda de um utilitário. Naturalmente podem haver objeções à preferência por uma pick-up compacta acrescida de uma capota rígida de plástico reforçado com fibra de vidro ao invés das furgonetas na mesma faixa de tamanho que ainda são bastante populares tanto na Europa quanto em países vizinhos como Argentina e Uruguai, mas uma percepção das pick-ups junto à maioria do público como mais desejável que um furgão em parte pela influência cultural americana leva alguns fabricantes de automóveis com operações instaladas no Brasil a depositarem mais esforços nesse segmento. Em que pese uma maior dificuldade para regularizar uma adaptação que permita o transporte de passageiros no compartimento de carga numa pick-up em comparação ao mesmo tratamento para os furgões, acaba sendo irrelevante para a maioria dos operadores comerciais que procuram por veículos nessa faixa de tamanho.
Se por um lado a disponibilidade da cabine simples mantendo-se em proporção maior que a observada nas pick-ups médias e grandes no mercado brasileiro que em alguns casos já estão vindo somente com a cabine dupla, por outro também se observa uma maior presença dessa característica entre as compactas, de modo que também figuram como uma opção para atender quem se vê na dúvida entre um automóvel mais convencional e uma caminhonete. Pode num primeiro momento parecer uma desvirtuação como a ocorrida em outras categorias nas quais já figuram modelos ditos "utilitários" para fins de homologação e uso de motor Diesel no Brasil tanto em função da capacidade de carga nominal quanto de sistemas de tração, mas oferece uma perspectiva quanto à incoerência de privilegiar veículos com um projeto menos eficiente no tocante à economia de combustível ao se deixar de reconhecer as funcionalidades das pick-ups compactas e como atendem eventualmente melhor a alguns operadores. Por mais que o etanol ainda tenha méritos que poderiam ser melhor explorados em meio à hegemonia alcançada por motores "flex" no mercado automobilístico brasileiro, e para usuários principalmente no entorno dos grandes centros o gás natural também seja um quebra-galho a considerar, é absolutamente inoportuno manter restrições ao uso de motores Diesel em veículos tão bem firmados junto ao público profissional por temores quanto a um impacto na disponibilidade de óleo diesel convencional para setores como o agropecuário que deixa de ter oportunidades para fomentar o biodiesel e agregar valor a operações de beneficiamento industrial tanto de cultivares quanto de proteína animal.
Apesar de ser impossível deixar de fazer uma analogia entre a presença de versões de cabine dupla nas pick-ups compactas e da maior concentração do mercado automobilístico brasileiro em torno de SUVs, a dinâmica um tanto confusa do mercado brasileiro preserva a participação tanto entre as opções mais pé-duro para trabalho pesado quanto outras com pretensões mais sofisticadas voltadas ao uso particular e de lazer. Questionamentos quanto à aptidão da tração dianteira e outras características associadas aos carros "populares" a condições de uso eventualmente mais severas também não fazem tanto sentido, à medida que se fazem presentes também em furgões médios e grandes já reconhecidos como utilitários e portanto autorizados ao uso de motores turbodiesel no Brasil. Enfim, mesmo diante da imagem de pick-ups como veículos mais representativos de um "estilo de vida" refletida em todas as faixas de tamanho, as compactas justificam ser levadas mais a sério como utilitário.
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Motores Mercedes-Benz ou Toyota 14B, um grande dilema para os fãs do Toyota Bandeirante
segunda-feira, 29 de março de 2021
Até que ponto uma maior sofisticação técnica em motores de projeto mais recente tem afastado operadores com um perfil historicamente mais favorável à liberação do Diesel?
Até modelos que em algumas gerações anteriores chegaram a oferecer pelo menos uma opção de motor Diesel mesmo que mais voltada à exportação, tomando por referência na linha Volkswagen a Saveiro cujas pretensões utilitárias justificam mais facilmente essa característica em outros mercados onde não sofre impedimentos de ordem burocrática para eventualmente dispor de um turbodiesel moderno, hoje a ignição por faísca predomina confortavelmente acomodada em torno de uma aparente simplicidade da aspiração natural e injeção sequencial nos pórticos de válvula. Evidentemente há de se destacar também como a adaptabilidade a combustíveis alternativos pode ser abordada, pela consolidação do mercado brasileiro em torno dos motores "flex" aptos a operar também com etanol mesmo que para exportação prevaleça a calibração para usar somente gasolina com no máximo uma pequena proporção de etanol, e pela imagem de relativa simplicidade que se atribui às conversões para o gás natural em regiões onde é disponibilizado regularmente e como os kits GNV de 5ª geração não prejudicam tanto o desempenho se não houver um empobrecimento excessivo da mistura ar/combustível valendo-se da maior resistência à pré-ignição ao usar o gás. Mesmo considerando que eventualmente se façam necessários dispositivos de controle de emissões complexos para manter um enquadramento nas normas ambientais cada vez mais estritas caso seja reconsiderada a disponibilidade de ao menos um motor turbodiesel, no fim das contas o impacto que o filtro de material particulado (DPF) ou mesmo o SCR acarretariam podem não ser mais difíceis de acomodar que 2 cilindros de gás natural posicionados sob o assoalho da carroceria.
Um alinhamento de mercados periféricos e "emergentes" tanto à China quanto à Índia, exemplificado na presença de modelos como o SUV Brilliance V3 de fabricação chinesa no Paraguai quanto o Renault Kwid direcionado originalmente ao mercado indiano sendo produzido também no Brasil, também acaba favorecendo um comodismo em torno da ignição por faísca. No caso de veículos chineses, a insistência em recorrer a cópias de motores antigos principalmente da Toyota e da Mitsubishi apenas discretamente modificadas para atender às normas de emissões contemporâneas e eventualmente acrescidos do turbo para enquadrar-se numa faixa de tributação menos desfavorável na China e alguns outros mercados sem sacrificar em demasia o desempenho destaca não apenas o desrespeito à propriedade intelectual que tem a anuência da ditadura comunista chinesa mas também reflete uma mediocridade técnica na insistência pela ilusão da ignição por faísca como sendo invariavelmente mais "limpa" enquanto são ignoradas as evoluções que os motores turbodiesel modernos e alguns sistemas de controle de emissões associados aos mesmos apresentam. Já no tocante ao Renault Kwid, assim como outros hatches subcompactos que fazem tanto sucesso na Índia pela combinação de um tamanho conveniente ao uso urbano e a incidência de impostos por lá levar em conta tanto a cilindrada quanto o comprimento (com até 1.2L para motores de ignição por faísca e 1.5L para os turbodiesel, enquadram-se modelos de comprimento menor que 4 metros numa classe mais favorável), o pouco espaço disponível para o compartimento do motor tende a dificultar a refrigeração caso se recorra ao turbo, e atualmente não é tão fácil conciliar o cumprimento a normas de emissões como a Bharat Stage VI indiana e um desempenho que assegure a versatilidade se fosse o caso de incorporar um motor Diesel aspirado de pequena cilindrada e de porte suficientemente compacto para atender a um carro da mesma categoria.
Apesar de não haver tantas perspectivas para modelos com capacidades de carga que os credenciem ao uso de motor turbodiesel no Brasil como o Iveco Daily deixarem de recorrer a tal opção, tendo em vista a diferença de custo comparada à ignição por faísca parecer proporcionalmente mais fácil de amortizar que num utilitário de porte menor como a Fiat Strada atualmente oferecida somente com motores "flex" Fire de 1.4L nas versões mais modestas ou Firefly de 1.3L nas intermediárias e na top de linha, convém observar como a massificação de sistemas de injeção eletrônica do tipo common-rail nos turbodiesel e a eventual inviabilidade de perpetuar a aparente simplicidade da aspiração natural que chegou a ser usada em gerações anteriores dos modelos. Se por um lado a manutenção de motores turbodiesel gerenciados eletronicamente deixa de ser um tabu tanto junto a gestores de frotas quanto autônomos e agregados no caso de modelos reconhecidos como utilitários no Brasil para fins de homologação, por outro pode soar tentadora uma abordagem mais imediatista em torno de um custo inicial mais palatável para a ignição por faísca e da aparente simplicidade que possa soar favorável ao custo operacional de médio a longo prazo. Enfim, mesmo que os motores turbodiesel tenham alcançado um grau de sofisticação técnica até mais alto diante dos similares de ignição por faísca, a hegemonia em algumas categorias de utilitários já esbarra em alguns desafios de ordem técnica e num temor quanto aos custos por parte de operadores tradicionalmente mais favoráveis à liberação do Diesel em veículos leves.
terça-feira, 23 de março de 2021
Restrições em função das capacidades de carga e passageiros e tração ou normas de emissões: qual seria o principal fator para a cultura dieselhead ser consolidada em torno de caminhonetes?
Considerando também o que ocorre em outras regiões tão diversas quanto Estados Unidos e Europa, a economia de combustível proporcionada por um motor turbodiesel tem permanecido menos difícil de se justificar de curto a médio prazo em categorias nas quais predominam modelos mais pesados, e também acaba sendo mais fácil encontrar um espaço para integrar às plataformas dos veículos alguns sistemas de controle de emissões cada vez mais massificados como os filtros de material particulado (DPF) ou o catalisador SCR para neutralização de óxidos de nitrogênio (NOx) sem impactar tão significativamente a capacidade de carga ou passageiros. O fato de pick-ups e outros tipos de utilitários serem classificados como "caminhão leve" pelas autoridades competentes nos Estados Unidos, além da menor incidência de impostos em comparação aos automóveis, também proporciona o enquadramento em metas de redução de consumo de combustível CAFE (Corporate Average Fuel Economy) menos rígidas para o fabricante e também regulamentações de emissões diferenciadas que eventualmente impossibilitam um motor "de caminhão" ser homologado num carro que possa apresentar resultados satisfatórios com a instalação. E no tocante à Europa, por mais que usuários de caminhonetes mais antigas para fins recreativos possam não ter o menor desejo de atualizar o conjunto mecânico para driblar restrições à circulação em algumas cidades de acordo com as certificações ambientais e a qualidade do ar, o predomínio de um layout mais tradicional de chassi separado da carroceria com motor longitudinal tanto em modelos antigos quanto nos atuais proporciona uma relativa facilidade para modificações até bastante radicais sem prejudicar a integridade estrutural.
Um antagonismo que a mídia e agências reguladoras tentam fazer entre o Diesel e híbridos baseados na ignição por faísca, embora permaneça mais habitual junto aos veículos leves e tenha no Brasil ainda um viés utópico com relação à viabilidade de recuperar um destaque do etanol junto ao público generalista, também reforça uma idéia das caminhonetes sendo um "refúgio" para os dieselheads mais tradicionais. O atual interesse de consumidores com um perfil mais urbano por utilitários, motivados tanto por uma precariedade da malha viária brasileira quanto pelo desejo de externar um estilo de vida mais ativo e de contato com uma natureza bravia ou um apreço pelas culturas interioranas (caipira/colonial/sertaneja), também fomenta a eventual preferência por algumas categorias de veículos anteriormente tratadas mais como uma despretensiosa ferramenta de trabalho e hoje alçadas a uma condição bastante prestigiosa. Enfim, uma série de fatores estritamente técnicos mantém a hegemonia do Diesel em segmentos com o predomínio de uma concepção mais pesada mundo afora, mas não anula o eventual direcionamento do público generalista para desenvolver uma admiração por caminhonetes, que diga-se de passagem ainda permanecem como ícones de uma cultura dieselhead originalmente fortalecida a partir do sucesso nas aplicações estritamente profissionais.
quarta-feira, 17 de março de 2021
5 motores turbodiesel que poderiam servir à atual geração do Suzuki Jimny Sierra
1 - Suzuki E15A: o motor que chegou a ser produzido somente na Índia, onde a demanda pelo Diesel é mais forte que no Japão, a princípio poderia ser o mais facilmente adaptável ao Jimny Sierra. O fato de ter bloco de alumínio e uma faixa de cilindrada mais parelha com o K15B a gasolina de 1.5L usado no modelo já leva a crer que o impacto sobre o peso não seria tão acentuado, além do início da montagem em CKD nas instalações da Maruti Suzuki na Índia que eventualmente poderia ter facilitado a logística para que o motor E15A fosse disponibilizado;
2 - Suzuki E08A: eventualmente esse motor de 2 cilindros e 0.8L que também foi produzido apenas na Índia fosse o mais improvável de ser aplicado, mas estaria longe de ser inservível. Em que pese ter uma cilindrada que já excede o limite de 660cc para enquadramento na classe kei no Japão, e que no Brasil a alíquota de IPI para utilitários mesmo não fazendo distinção por cilindrada já está acima do que incide sobre a faixa de até 1.0L para os carros "populares", a princípio seria mais difícil justificar. No entanto, é inevitável uma comparação com o motor Suzuki R06A de 658cc e 3 cilindros a gasolina que dotado de turbo equipa as versões kei. A princípio, o E08A na configuração com potência de 47cv a 3500 RPM e torque de 125Nm a 2000 RPM ainda pareceria razoável tomando por referência os 64cv a 6000 RPM e 96NM a 3500 RPM do R06A mesmo ambos não sendo páreos para o K15B de 100cv a 6000 RPM e 138Nm a 4400 RPM oferecido nos mercados internacionais. O tamanho diminuto também poderia levar a crer que não dificultasse tanto a eventual acomodação de dispositivos de controle de emissões como o filtro de material particulado (DPF) ou até o reservatório para o fluido-padrão AdBlue/ARLA-32 usado no sistema SCR para controle dos óxidos de nitrogênio (NOx);
3 - Fiat 1.3 Multijet II: outro motor que chegou a equipar diversos modelos da Suzuki tanto na Índia quanto em outros mercados, apresenta como vantagem o fato de ter uma especificação já homologada nas normas Euro-6d TEMP mesmo sem recorrer ao SCR. E não se pode negar que 80cv a 3700 RPM e 200Nm a 1500 RPM estariam de bom tamanho para um modelo dessa categoria;
4 - Renault K9K: esse mesmo motor chegou a equipar exemplares da geração anterior produzidos na Espanha pela extinta Santana Motor. Embora algumas especificações anteriores ainda pudessem ser aplicáveis ao Brasil e outros mercados com normas menos rigorosas que as em vigor na Europa hoje, as mais atuais homologadas na certificação de emissões Euro-6d TEMP já fazem uso do sistema SCR mesmo na faixa de potência e torque mais modesta com 80cv a 4000 RPM e 210 Nm a 1750 RPM, o que a princípio seria problemático em função do espaço que seria necessário para instalar o reservatório de AdBlue mesmo que não seja exatamente impossível;
5 - PSA (atual Stellantis)/Peugeot DV5: derivado do mesmo projeto que originou os motores DV4 de 1.4L que chegou a equipar a geração anterior do Ford EcoSport somente para exportação, o atual DV5 tem porte bastante compacto mas não chegou a ser oferecido em nenhum veículo com comprimento e largura tão pequenos como o Jimny Sierra, e também tem feito uso do SCR mesmo nas especificações mais modestas. Assim como o Renault K9K, pode parecer difícil justificar diante da necessidade desse sistema se voltasse ao mercado europeu, mas como o AdBlue não é inflamável nem armazenado sob pressão é viável moldar um ou mais reservatórios interconectados em formatos que se encaixem mais facilmente aos espaços um tanto exíguos que estiverem disponíveis.
quinta-feira, 11 de março de 2021
Rápida reflexão: até que ponto uma maior aceitação de modernizações na linha de motores 1.0 flex poderia soar como um bom precedente para uma eventual liberação do Diesel?
Outros fatores tão diversos quanto a obsessão do público generalista em torno da potência dos motores, e invariavelmente um motor flex mesmo quando eventualmente ainda não recorra ao turbo já costuma sair-se melhor nesse aspecto que um turbodiesel dentro da mesma faixa de cilindrada, poderiam ser um empecilho tão significativo quanto a necessidade de incorporar à rotina de manutenção os cuidados para assegurar um correto funcionamento dos dispositivos de controle de emissões. Convém salientar que a simples presença do turbo em motores flex mais recentes já requer um maior rigor quanto à observância das especificações do óleo lubrificante por exemplo, e certamente pesou contra uma maior aceitação do downsizing durante outros momentos históricos tanto em função de maiores dificuldades para encontrar insumos de boa qualidade quanto por alguns maus hábitos de operadores anteriormente mais habituados a motores rústicos que suportavam mais facilmente alguns erros que um motor moderno geralmente não tolera. E com os avanços tecnológicos incorporados aos motores turbodiesel mais recentes não estando necessariamente tão escancarados aos olhos do povão até em função das restrições ao uso com base nas capacidades de carga e passageiros ou tração, acabam prevalecendo no imaginário popular motores "de trator" demasiado pesados e de desempenho não tão vigoroso mas rústicos o suficiente para não exigir a manutenção criteriosa que qualquer motor de concepção moderna requer.
sexta-feira, 5 de março de 2021
Ainda faria sentido um V8 a gasolina numa pick-up full-size?
Gerações anteriores da Ram ainda chegaram a contar com a opção por motores V10 a gasolina de 8.0L efetivamente destinados a aplicações utilitárias na linha heavy-duty, e posteriormente outro de 8.3L que havia sido originalmente desenvolvido para o Dodge Viper mas também acabou encontrando espaço em algumas versões de proposta mais esportiva da série 1500 num momento em que os modelos maiores já haviam consolidado a preferência pelo turbodiesel Cummins então com 5.9L (popularmente conhecido como "6BT") nas aplicações severas imediatamente acima dos V8 a gasolina. Apesar da homologação em alguns países como caminhão em função do peso bruto total superior a 3500kg mantê-la enquadrada em alíquotas de impostos menos absurdas em proporção à cilindrada do que se observa nos automóveis, e no Brasil resultar na necessidade de carteira de habilitação categoria C para conduzir uma Ram 2500, a opulência frequentemente atribuída aos motores V8 estereotipicamente americanos e por extensão aos V10 hoje enfrenta uma oposição de peso tanto no tocante à racionalidade de um turbodiesel quanto pela melhoria no desempenho ao longo das duas últimas décadas. Motores a gasolina com alta cilindrada até podem parecer razoáveis aos olhos de alguns entusiastas das pick-ups full-size, tanto por dispensarem a complexidade de dispositivos como o SCR e o filtro de material particulado que ganharam espaço nos turbodiesel para atender às normas de emissões mais recentes quanto pela relativa facilidade que podem apresentar para serem adaptados ao uso de combustíveis alternativos como o etanol (apesar do consumo ainda mais exagerado) ou do gás natural, apesar do estigma especialmente em torno do gás como uma gambiarra que ainda comprometeria demasiadamente o desempenho.
Da aptidão ao serviço pesado na lida campeira à capacidade de carga e reboque proporcionando grande facilidade para transportar praticamente tudo o que for necessário para uma estadia confortável na praia durante o verão, as pick-ups full-size atualmente consideradas uma apoteose do American Way of Life mantém uma legião de admiradores mundo afora. Enquanto em alguns mercados de exportação o custo da gasolina pode até não assustar usuários com um perfil muito diferente dos americanos, em outros um V8 já nem faz tanto sentido, tanto pela consolidação da imagem de motores turbodiesel como sinônimo da brutalidade que se deseje externar com um veículo dessa categoria quanto pela falta de incentivos ao uso de combustíveis alternativos que se adaptem melhor à ignição por faísca. Enfim, por mais que seja impossível dissociar a cultura automobilística americana dos motores V8 de alta cilindrada sedentos por gasolina, não deixa de ser no mínimo curioso que uma das categorias de veículos mais frequentemente associadas à imagem de americanidade até destaque a superioridade de um turbodiesel com 6 cilindros.
segunda-feira, 1 de março de 2021
Eletrificação: uma medida elitista sob os auspícios de uma falsa sustentabilidade
De fato, muitas tecnologias surgiram inicialmente em veículos de luxo antes de se tornarem difundidas em modelos mais generalistas, tanto pela preferência do grande público como o ar condicionado quanto por regulamentações tanto no âmbito de emissões quanto de segurança, e portanto é previsível que haja uma aposta inicialmente mais enfática nesse segmento até em função do alto valor agregado promover a economia de escala que se faz necessária para futuramente alcançar segmentos generalistas. Benefícios fiscais e outras conveniências também atraem uma parte do público-alvo e fomentam expectativas junto a alguns usuários de veículos mais simples que se acabaram encantando pelas alegações quanto a uma teórica "superioridade" do carro elétrico em aspectos que hoje não se limitam à questão das emissões. É importante observar, por outro lado, o quanto podem ser questionados alguns dos principais argumentos repetidos à exaustão em defesa da eletrificação total do transporte, levando em consideração tópicos às vezes subestimados como as dificuldades de ordem técnica e logística no suprimento de energia elétrica e reciclagem de baterias a serem descartadas.
O maior destaque que até a indústria automobilística tem dado à imagem como provedora de "serviços de mobilidade", por mais vaga que tal definição possa soar, também se vê refletida na eletrificação em faixas de tamanho mais modesto abrangendo desde modelos com um porte relativamente convencional como o Mitsubishi i-MIEV derivado do kei-jidosha Mitsubishi i com motor turbo a gasolina de 0.66L restrito ao mercado japonês até outros que precisaram recorrer a outra abordagem para ficarem isentos de algumas normas de segurança como o Renault Twizy homologado como quadriciclo ao invés de ser documentado como um carro. Não se pode ignorar que uma proposta essencialmente urbana atribuída a subcompactos, cujo próprio tamanho já constitui um empecilho à instalação de uma bancada de baterias com capacidade suficiente para eventuais percursos rodoviários sem abdicar de espaço para passageiros e alguma quantidade de bagagem, dificulta a intenção de atender a uma parte ainda muito expressiva do público generalista que não pode se dar ao luxo de ter simultaneamente um modelo tão especializado e outro para trajetos mais longos. E a bem da verdade, por mais que o tamanho até mais contido que o de carros "populares" nacionais possa sugerir um preço menos distante da realidade brasileira, não é o que ocorre na prática, limitando o apelo dos modelos a operadores que podem compensar as deficiências de um carro elétrico recorrendo a outros veículos ainda equipados com um motor de combustão interna.
Considerando eventuais limitações na infra-estrutura como uma quantidade ainda pequena de pontos de recarga expressa acessíveis ao público para atender aos veículos elétricos, é mais realista a hipótese dos híbridos plug-in virem a conquistar uma maior confiança junto a consumidores que nem sempre tenham tanta facilidade para planejar a operação por rotas mais amigáveis a modelos totalmente elétricos. Nesse contexto também chama a atenção como alguns híbridos seriais, cujo motor elétrico é o responsável por toda a tração enquanto o motor de combustão interna é acionado somente como gerador, passaram a ser classificados como "elétricos de autonomia estendida" (EREV - extended-range electric vehicle) para o enquadramento em faixas mais favoráveis tanto no tocante a benefícios fiscais quanto menos restrições à circulação que já são implementadas na Europa e nos Estados Unidos. É o caso do BMW i3 REx que usa um motor a gasolina de 2 cilindros e 0.65L para acionar um gerador on-board, assim já não ficando tão limitado em comparação ao BMW i3 BEV totalmente elétrico e sempre dependente dos pontos de recarga tanto gratuitos quanto pagos ao longo de rotas mais distantes do local onde esteja regularmente baseado.
Uma aposta na massificação da tração elétrica, que apesar do custo permanecer elevado demais para ser conveniente aos olhos do público generalista fica mais fácil de apresentar numa proposta mais elitizada como a do SUV Jaguar I-Pace, ainda esbarra em aspectos práticos que vão desde a baixa confiabilidade do sistema elétrico nacional até o eventual uso de fontes não-renováveis que chegam a ser mais "sujas" motor de combustão interna. Por mais que alguns usuários possam ter interesses legítimos na busca por eficiência energética ou compensação de emissões, na prática observa-se desde uma aplicação da "Lei de Gérson" até temores quanto a restrições ao direito de ir e vir tendo um peso maior nessa alteração da matriz energética do transporte que um interesse efetivo do público generalista em abdicar totalmente do motor de combustão interna. Enfim, por mais promissora que possa soar num primeiro momento, a eletrificação vem sendo conduzida no mercado automobilístico como uma medida meramente elitista e pautada em falsas premissas de "sustentabilidade" que visam dificultar o acesso a um veículo particular.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
4 motores Diesel que seriam interessantes para adaptar num Fusca
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
Toyota Bandeirante: uma opção improvável, mas ainda apreciada também por um público mais urbanizado
Embora a concepção essencialmente rústica seja por si só um dos principais atrativos para a maioria dos apreciadores do Toyota Bandeirante, não há de se duvidar que hoje pela burocracia brasileira dificultar a regularização de algumas adaptações mais complexas o apelo do modelo junto ao público urbano seja mais restrito, caso contrário veríamos um interesse em recuperar exemplares sucateados ou desgastados o suficiente para que surja a dúvida entre preferir uma restauração mais voltada à originalidade ou uma resto-mod com elementos de utilitários mais modernos. O chassi original já é suficientemente robusto para suportar alterações ou até a substituição do motor por um moderno com mais potência e torque, e a eventual preferência por um conjunto mais moderno de freios e suspensão pudesse ser o único pretexto para algum "herege" preferir montar uma carroceria de Bandeirante sobre um chassi de pick-up média moderna encurtado no entre-eixos. A bem da verdade, se não fosse pela tração 4X4 como requisito para assegurar o direito de usar motor Diesel, talvez ficasse mais improvável ver um público essencialmente urbano manter o interesse pela brutalidade do Toyota Bandeirante, principalmente em meio à moda dos SUVs que mesmo com tração nas 4 rodas quase nunca se comparam satisfatoriamente a esse clássico em condições de rodagem mais pesadas.
Às vezes apontado como um dos símbolos mais escancarados do atraso tecnológico que se observava na produção nacional de veículos por ter permanecido em linha até 2001 sem alterações tão drásticas, é impossível negar que o Toyota Bandeirante marcou época e permanece como uma referência no tocante à robustez e aptidão a condições de rodagem extremas. Fatores como uma nostalgia favorecida pelo fim da produção, eventualmente levando uma parte dos que o repudiavam quando estava em vias de sair de linha a terem alguma apreciação pelo modelo e reconhecerem tardiamente algumas qualidades, exercem uma atração até certo ponto comparável à moda dos SUVs em que pese o jipão nipo-brasileiro ir além da tentativa de parecer robusto para ser efetivamente pau-pra-toda-obra. Enfim, mesmo passando longe do que a grande maioria supõe ser um bom veículo para uso geral e majoritariamente urbano, o Toyota Bandeirante mantém fãs fervorosos e desafia a lógica (ou falta dela) aplicável ao mercado de veículos novos.















































